sexta-feira, 11 de março de 2011

Carnavais do passado - Dedicado a Acir José Pasini

Quando eu tinha por volta de oito a dez anos – em Santiago – o meu pai me levava nas matinês do carnaval do Grêmio de Subtenentes e Sargentos da Guarnição de Santiago (GSSGS), agremiação que ele chegou a ser diretor (tesoureiro).

Os carnavais do Grêmio, para as crianças, eram os momentos mais felizes do ano. Lembro de vários fatos, mas vou citar apenas alguns.

O primeiro foi o “carnaval das tampinhas”. Eu e meu irmão Paulo passamos um carnaval inteiro (duas matinês) juntando tampinhas de garrafa, não lembro bem por qual o motivo. O fantástico (nesse caso) é que elas pareciam joias, talvez diamantes. Era uma faceirice procurar e encontrar mais e mais!

A outra recordação, também significativa, foi o primeiro quase “carão” que eu dei. Estava de pé, perto da mesa de meu pai, quando uma menina, um pouco mais velha, convidou-me para pular carnaval.
Quem tem mais de trinta anos deve lembrar que as festividades se resumiam em girar, dançando, pelo salão. As marchinhas ecoavam na grande quadra do GSSGS. Fiquei nervoso ao ouvir ela dizer:
- Quer pular?
Até aquele momento, o mais perto que eu havia chegado de uma guria era a distância entre as classes da sala de aula.
- Não...
Sem avisar, meu pai saltou da cadeira em que estava sentado e disse:
- Ei! Giovani. Vai sim, vai lá dançar! Não pode dar carão...
A menina sorriu e colocou o braço sobre os meus ombros.
Num mundo de meninice, entre músicas e giros, ficamos arrodeando no salão, por quase duas músicas. Tudo se resumiu a isso.
Nunca soube quem era a parceira da primeira dança.
Pode parecer besteira, mas o leitor que ainda guarda a criança dentro do coração - mesmo que seja lá no fundo – ficou nervoso junto comigo.

Neste ano, no Carnaval Popular de Santiago, retornei aos carnavais do passado.
As lembranças voltavam à mente, na alegria do barulho das marchinhas.
“Oh! Abre alas que eu quero passar...”

Novamente, mesmo que seja no meio de foliões imaginários; novamente o meu pai acompanhava a minha festividade.

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