quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Passageiro

Grandes árvores.

Grandes árvores que me observam!

Árvores imensas, enfileiradas,

que ultrapassam o tempo

perenes;

decomponha esse mundano

num escritor

que embole as letras pela alma;

não um autor que componha:

para os homens,

como homens

com os homens.


Árvores colossais?

Como rochas duradouras

- uma a uma -

(em silêncio) (ssshhh)

essas árvores analisam o movimento:

carros vão

carros vem;

faróis que cruzam n(um) limiar de vida,

indiferentes ao passageiro;

passageiros...

Bah! Passageiros!


Eu?

O cachorro me acompanha,

ouve a falta de sonoridade de uma canção.

No meu ouvido o Legião sussurra:

“Me diz, por que que o céu é azul?

Explica a grande fúria do mundo?”

A escuridão transforma o azul em negro.

Nego. Nego. Nego.

Pedro pedra para povo.


Um indigente de mochila (nas costas)

passa ao meu lado - na verdade, ultrapassa -

Encara a minha embriaguez de poesia e se pergunta:

louco?

Será que sou um louco?

Os inimigos não odeiam o meu cachorro...


Ah! Grandes árvores que me observam!

Árvores imensas, enfileiradas,

que ultrapassam o tempo

perenes;

decomponha esse mundano

num escritor

que embole as letras pela alma;

não um autor que componha:

para os homens,

como homens

com os homens.


E...

Se for possível,

Não me deixem.

Não, não estou autorizado a esquecer essas letras,

(Sem papel, caneta ou gravador)

O que resta é a dor do escritor;

uma corrente que prende,

um cachorro que é livre,

uma memória de amendoim,

e a vontade de que a poesia-paranóica

rompa a barreira do universo.


Passageiro.

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