quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Artigo para o Jornal Expresso Ilustrado - 3 Dez 2010 - Crônica, latidos e garnisés

Por que os cachorros pequenos latem mais? Por que possuem latidos num tom alto? Eles têm que impor o seu espaço e definir uma presença. Dizem (as más línguas) que a mesma técnica é utilizada por alguns: mulheres, políticos, religiosos, escritores e outros tantos. Pode ser, mas o assunto não é esse. Lembro que o vira-lata mais saltitante que conheci era uma garnisé - sem nome. Por volta dos 12 anos, resolvi criar galinhas garnisés no fundo do pátio. Era a moda entre os jovens alunos do Apolinário. Como eu vendia picolés, consegui dinheiro para comprar alguns pintinhos - e foi o que fiz. Comprei uns oito, machos e fêmeas. Desses, num mistério enigmático, alguns morreram esmagados, na garagem. Entretanto, um galo e duas galinhas vingaram. Durante mais de ano cuidei deles e, particularmente, adquiri um amor especial por uma garnisé que era saltitante e mansinha. Como? Sei lá. No chão pulava de um lado para o outro e no colo adormecia. O fato seguinte é que fui matriculado no Colégio Militar de Porto Alegre e tive que sair de Santiago. E a garnisé sem nome? Pequena, marrom e enérgica! Proibi que minha família a cozinhasse. Doei para a vizinha, para não vê-la morrer. Fui severamente questionado: "O que tu acha que ela vai fazer com a galinha?". Não importava. Sem observar o fim da galinácea, ela ficaria "cachorreando" na memória, pelo resto de minha vida. A garnisé que era um "poodle" e que um dia virou crônica. Afinal, todos nós gostamos de quem saltita pelo mundo, mas que adormece quando se aconchega no nosso afago.

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