quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Artigo Jornal Expresso Ilustrado - 29 Out 10 - Costureira

A modernidade insiste em tentar acabar com algumas profissões, tais como: engraxate, sapateiro e costureira. O avanço cultural e tecnológico dificultou a sua perpetuação, talvez por termos calçados baratos, que não necessitam brilho (alguns já vem com ele), ou devido ao fato das roupas terem quase adquirido o conceito de "descartáveis". As três carreiras supracitadas são atividades que envolvem dois elementos principais: a arte e a calma. O presente artigo é dedicado àquelas avozinhas queridas, de cabelos brancos e sorrisos largos, que ainda desempenham a beleza que é a costura artesanal. Essa semana, com minha família, conseguimos encontrar uma senhora para consertar o uniforme colegial de meu filho. Tão boa quanto à prestação do serviço foi a conversa radiante, dentro daquela pequena casa de madeira. Penso que, no passado, nossos pais deviam procurar as "costureiras psicólogas", mais pela prosa do que por necessidade. Quantas histórias foram contadas ao redor de agulhas e linhas! Há alguns dias tive um diálogo carinhoso, receptivo e dinâmico - com uma costureira ambígua: mãos trêmulas, mas que delineavam um tecido com precisão fenomenal. A lição que fica é que a arte pode ser feita com qualquer instrumento. Desde que se tenha paixão, a cada milímetro da própria ação; desde que se dedique a emocionar o outro, pela competência feliz.

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