quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Artigo Jornal Expresso Ilustrado - 12 de outubro - Dia da Criança

A infância é o momento impar da vida e os dias são intermináveis, com brincadeiras. Andamos descalços e o pior problema é quando o amigo não pode brincar. O meu tempo feliz de guri foi marcado por dois pés de ameixa amarela e um de cinamomo. Este servia de helicóptero fictício, com “munição” abundante; as bolinhas verdes, atiradas contra os (ini)amigos. As ameixeiras alimentavam a fome de “guri”, que surgia no corre-corre. Lembro que subia na garagem e olhava o horizonte, com o pôr-do-sol, e olhava os bosques isolados, ao longe, no pampa santiaguense. Eu e meus amigos Volnei e Robson Polga encontrávamos a solução para o pior dilema da vida: as aventuras “bang-bang” que representavam a morte e a instantânea ressurreição. Um gritava “Está morto!” e o outro “Errou!”, então começava a discussão, separados por telhas e zincos. No final, éramos os três contra uma multidão de soldados imaginários que escalavam o forte (garagem). Recomeçavam os gritos: “Aqui! Ali tem outro! Pá! Rá-tá-tá!”. Lá se foram quase 30 anos daquele combate divertido. Hoje, as rugas começam a marcar o rosto e o sorriso modificou. Aquele menino se esconde debaixo da maturidade que aponta, coberto por capas protetoras. Contudo, basta começar a agitação dos filhos, para renascer o curumim que apronta. Então, as convenções sociais são sufocadas por novos instantes de imortalidade, com garupas e galopes. Um lindo dia de criança...

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