quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Artigo Jornal Expresso Ilustrado - 05 Fev 10 - O Valor de um exemplo


Em homenagem a Acir José Pasini

A melhor forma de se aprender algo, em nossa vida, é pelo exemplo. Quando eu tinha por volta de uns cinco anos, “peguei” uma bala do bar Bonanza, em Santiago. Ao sair do local, ao lado de meu pai, sem querer deixei que ele observasse a guloseima. Então o velho perguntou: “- O que é isso? Você pegou essa bala sem pedir?” Ao obter a minha resposta afirmativa, não brigou comigo. Retirou uma moeda do bolso e disse o seguinte: “- Giovani, vamos até o bar. Você vai pagar essa bala.” Dito e feito. Tive que enfrentar o Firmino, o dono do lugar e indenizar a mercadoria. Naquele momento, confesso que fiquei com bastante vergonha. Entretanto, hoje tenho muito orgulho. Há algum tempo, o meu filho Eduardo, que na época tinha seis anos, fez o mesmo no supermercado Bazana. Ao sair do local, observei um chiclete em sua mão. Perguntei: “- Eduardo, o quê é isso? Você pegou esse chiclete sem pagar?” Coincidências do destino. Diante da manifestação positiva de meu filho, o passado voltou em segundos. Naquele instante, eu era o Eduardo e meu falecido pai estava em mim. Retirei uma moeda do bolso e, calmamente, fiz com que ele pagasse aquele chiclete, ao caixa do supermercado. Até hoje agradeço os bons exemplos recebidos de meu pai. A honestidade é algo que não se compra; ela deve ser conquistada. E, ao seu lado, paira a tranquilidade moral. É importante sabermos que a roda da vida gira rapidamente. De repente, voltaremos ao início e o fim será apenas um recomeço...

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