segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Artigo para o Jornal Expresso Ilustrado - 08 jan 09 - Cacos de Vidro no chão

A virada do ano proporcionou uma visão fascinante. Uma multidão em delírio, cabelos balançando, braços erguidos e expressões multifacetadas. O som alto ecoava em batidas alucinadas. Era a madrugada de 1° de janeiro de 2010. Caio Fernando Abreu, se estivesse entre nós, teria se assustado com a tamanha diferença do seu “Passo da Guanxuma”, apelido carinhoso que dava para Santiago. Fora da aglomeração, eu tinha duas escolhas: observar as pessoas ou entrar naquela magia frenética. Olhando os festeiros, foquei a atenção num jovem de terno escuro que estava sentado no degrau de uma arquibancada de concreto. Ele chorava, tentando disfarçar o próprio drama. As pessoas, nos primeiros dançares do ano, nem percebiam. O rapaz parecia não ter amigos, ninguém que o consolasse. Na mesma hora, pensei: amor perdido. Foi quando vi o seu pé esquerdo, com sapato preto lustroso, esmagando algo. De onde estava não defini bem, mas pareciam cacos de vidro. Pensei em ir até lá e conversar. De repente, o jovem levantou, enxugou as lágrimas com o braço e seguiu o seu destino, empurrando alguns dos foliões. Fiquei sem ação, vendo-o se afastar, deixando para trás os cacos no chão, banhados com lágrimas de solidão. Queria poder ajudar, mas não deu. Espero que ele leia este artigo e pense na frase de Walter Grando “Mesmo que você chegue à estaca zero, ainda estará no começo de tudo”.

Um comentário:

  1. Amado,

    Gostei muito de seu blog, os posts nos leva a refletir sobre a vida.

    Já sou seguidor de seu blog, visite nos depois, nos siga também.

    Bruno Henrique Rezende
    www.igrejageracaoprofetica.blogspot.com

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