quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O Passo da Guanxuma

O escritor Caio Fernando Abreu, santiaguense, algumas vezes não é reconhecido como um cidadão da Terra dos Poetas. O mundo não sabe disso!
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Em 1997, na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, RJ, tive a oportunidade de ler a obra "O Ovo Apunhalado". Naquela época eu gostei da sua escrita rebelde, sensível e profunda.
Se eu imaginasse que o autor era santiaguense (minha terra natal), a leitura seria mais proveitosa e até fundamentalista (palavra forte, eu sei).
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No lançamento da campanha publicitária da Casa do Poeta de Santiago, relativa ao I Fórum Latino-Americano de Literatura Contemporânea, que irá ocorrer nos dias 22, 23 e 24 de janeiro de 2010, aqui em Santiago, fiquei emocionado com a declamações do Márcio Brasil e do Froilam de Oliveira que fizeram as apresentações de duas crônicas do Caio, respectivamente, "Raiz no Pampa" e "Nos Poços".
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Em frações de segundos minha mente estava no passado distante. Alheio ao público presente na Câmara dos Vereadores de Santiago, retornei ao ano de 1989.
Dentro do ônibus, num banco de passageiro, numa meia-noite qualquer, eu deixava Santiago rumo ao Colégio Militar de Porto Alegre. Fiquei longe, voltando apenas nas férias, até o ano de 1998, quando retornei Aspirante do Exército. As palavras bonitas são o transporte que precisamos para viajarmos no tempo.
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A vida é assim. Geralmente damos um maior valor a alguma coisa que perdemos. Quando o meu pai estava vivo, por exemplo, não passei todo o tempo que deveria com ele. Hoje, daria quase tudo por mais dois minutos ao seu lado (fisicamente).
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O "Passo da Guanxuma", para Caio Fernando Abreu, era a cidade de Santiago, epíteto carinhoso para a "Terra dos Poetas".
Segundo ele, somos o que tiramos de nossa raiz.
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Acho (acho é diferente de julgo -- o primeiro é mais indeciso), acho que na atualidade estamos perdendo um pouco o saudosismo.
--Palavras rápidas são imprecisas e inacabadas--
Mas, é isso.
Acho que os computadores nos deixaram um pouco mais metódicos e insensíveis.
Não temos tempo de ter saudade...
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Algumas vezes passamos anos sem aprender nada.
Parece ridículo, mas é verdade.
Nos perdemos dentro (vou imitar o Caio) de-um-dia-após-o-outro.
Até que surge uma simples palavra, de um mero alguém,
e modifica toda a sua estrutura de pensar.
Um abalo sísmico da personalidade.
Então, você se enxerga no fundo daquele poço (do caio)
e pensa que pode até mesmo ser o tal do poço...
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O Passo da Guanxuma me ensinou muita coisa.
Aprendi que não basta sonhar e lutar pelo sonho,
precisa-se, sim, buscar outros sonhadores.
A questão não é, caro leitor, saber mais ou menos,
escrever melhor ou pior,
a questão gira em torno do poder das palavras e da persuasão.
A luta por ideais parecidos, por obtenção de metas parecidas.
A confluência de princípios e parcerias de caráter.
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Não pense, caríssimo leitor, que estou triste, ou qualquer coisa parecida.
Estamos felizes com tudo o que está ocorrendo.
Buscamos a força nas raízes de Caio Fernando Abreu,
nos braços do Passo da Guanxuma,
nos rios dos lambaris saltitantes,
nos pampas e nas cercas do agronegócio.
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A energia etérea de Santiago está mudando!
Tenho fé que você se junte a nós.
O coração dos leitores-escritores da Casa do Poeta de Santiago
buscam novos companheiros.
A nossa doutrina é a abertura dos portões mágicos
da literatura, para todos que gostem de palavras.
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A eterna dança das palavras.
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Conheça o "Passo da Guanxuma" - "Terra dos Poetas".
Um local onde o tempo corre um pouco menos.
Ele pára e aprecia o pampa, dos limites da cidade...

Um comentário:

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Agradeço o tempo investido nesta comunicação.

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