segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A Voz dos Escritores - A terceira entrevista

A Casa do Poeta de Santiago (www.casadopoetadesantiago.com.br) lançou, no dia 24 de agosto de 2009, o projeto "A Voz dos Escritores" que visa entrevistar escritores de Santiago e região, difundindo através da internet o seu trabalho e opiniões. Este projeto possui a intenção de lançar no blog do Giovani Pasini, no site e no orkut da Casa do Poeta de Santiago, todas as segundas-feiras, uma matéria sobre os autores locais, contribuindo, assim, com o epíteto "Santiago: Terra dos Poetas".
Se o leitor tiver alguma idéia, sugestões de entrevistados, poderá enviar para os seguintes e-mails:gpasini@ig.com.br e secretaria@casadopoetadesantiago.com.br.


O nosso terceiro entrevistado é o escritor e colunista MÁRCIO BRASIL, 29 anos, natural de Santiago, RS. O Márcio Brasil é jornalista do Jornal Expresso Ilustrado e tornou-se reconhecido por seus artigos que retratam, de forma explêndida, o cotidiano do ser humano e, principalmente, dos santiaguenses (e da região).
Já teve participações no teatro, na música, faz parte da Juventude com Atitude e da Casa do Poeta de Santiago, sendo, portanto, multifacetado.
A entrevista concedida para a Casa do Poeta, no dia 06 de setembro, serve de reflexão para todos os leitores, blogueiros e para quem tenta ser um escritor.
Como era de se esperar, observa-se uma sinceridade imensa em suas respostas.
Aprenda com mais um escritor da "Terra dos Poetas"!


1. Você já tem algum trabalho (livro, pesquisa, poesias etc.) publicado? Quais?

Desde 2001, tenho o privilégio de publicar uma coluna no jornal Expresso Ilustrado, onde trabalho desde 1999. Inicialmente, meus escritos eram mais na linha crítica político-social. Porém, não é uma coisa que eu faça bem, pois quando critico acabo sendo pesado demais. E quando elogio, rasgo seda. Mesmo que isso não signifique amar ou odiar, mas simplesmente manifestar um pensamento.

Porém, essa coisa de intensidade não é muito bem compreendida na maioria das vezes. Às vezes, sem querer a gente atinge as pessoas e isso é ruim. A palavra pode ferir, então, é melhor tomar cuidado com essa arma e usá-la de forma mais construtiva. Escrevi várias coisas das quais me arrependi, mas não as apaguei de minha história, porque apagar os erros da memória é como apagar o aprendizado que se tirou daquilo.

Em 2004, passei a escrever mais na linha de crônicas e contos, que é algo que gosto e faço desde que tinha meus 15 anos. Publiquei vários textos também no jornal Letras Santiaguenses. Em 2008, tive a honra de ter um livro publicado pelo projeto literário Santiago do Boqueirão, seus Poetas, quem São, coordenado pelo curso de Letras da URI, através da professora Rosane Vontobel Rodrigues. E tenho um livro aqui de contos e crônicas, pronto e encaixotado e que jamais lançarei, pois foi feito às pressas e atropelado pela CORAG, sem registro ISBN, índice, correção etc. Seria um desserviço à literatura lançar uma obra assim. Talvez em 2010, eu lance um livro nos moldes que eu quero e pense que possa ter algum valor.

2. Observamos nas suas crônicas e textos uma grande compreensão do cotidiano, com a reflexão sobre aspectos existencialistas? Qual o motivo, que você acha, levou-o a escrever desta forma?

Sinceramente, não sei dizer. Penso que qualquer obra fala por si só, sendo desnecessário descrevê-la. E, em verdade, o trabalho de escrever é uma metade de um texto, um livro. A outra metade será completada pela imaginação do leitor. Não sei se tenho uma compreensão do cotidiano, apenas escrevo. Na verdade, transcrevo muitas coisas que vivi, que percebi ou observei. A inspiração pode vir do cotidiano, de uma música, de uma frase etc. Não tenho uma fórmula específica. Gosto de experimentar gêneros e tipos. Já escrevi histórias de amor, comédia, drama, romance, terror e até sexo. Escrever é como desnudar os seus sentimentos.

3. Qual a frase – extrato – que você mais gostou de escrever e sentiu-se orgulhoso ao ler o resultado? Transcreva-a para nós.

Há textos que escrevi e que tenho satisfação de tê-los recebido. Há outros que dá pavor reler. Mas um dos contos que mais gostei de ter escrito foi “O Filho do Super-Homem”, entre outros. Nem tudo publico no jornal, há textos que jamais foram publicados, mas que estão em meu blog. Uma frase que gostei de ter escrito foi “O melhor da vida são as pequenas coisas. As grandiosas geralmente são insignificantes”. Realmente penso assim, que a felicidade é feita de instante a instante e que os amigos são dádivas da vida. Acho que vivenciar a felicidade que se apresenta no agora é estar em paz. É que a gente aprende a se prender ao passado (mágoas, alegrias passadas etc) e fica projetando o futuro, sonhos etc, deixando de viver o que existe agora, que é o presente. Se morresse hoje ou amanhã, beleza, agradeço pelo tempo vivido e pelo aprendizado que tive, ao lado de pessoas magníficas que pude conhecer, que são os amigos.

4. Com quantos anos você começou a escrever? Por qual motivo?

Antes de aprender a ler, eu gostava de folhear as revistas em quadrinhos e ficar imaginando as histórias. Ficava “lendo” as figuras em voz alta e contando a história, segundo o que eu compreendia das figuras. Depois que aprendi a ler, seguia fazendo o mesmo (lendo em voz alta), porém, descrevendo o que estava roteirizado nas páginas. Até que alguém me disse que eu devia aprender a “ler só para mim”, só na mente. As histórias em quadrinhos despertaram o gosto pela leitura também de livros e me fez ter vontade de criar as minhas próprias histórias. Quando escrevia redações no colégio, minha querida professora Sofia Lopes Brum me incentiva muito a escrever. E assim fui.

5. Qual o seu próximo projeto? Algum livro que você está trabalhando? Qual será o tema?

Talvez eu lance um livro no ano que vem, talvez não. Por ora, eu gosto de escrever e publico muita coisa em meu blog. Hoje em dia é fácil lançar um livro, com acabamento de luxo e tudo o mais, o que não significa que o resultado deva ser exaltado. Todo aquele que fica se gabando de que escreveu algo maravilhoso, que todo mundo deveria ler e que mudará a vida de muita gente, é um imbecil. Penso que a arte fala por si, sendo desnecessário explicações a respeito dela, especialmente vinda do próprio autor. Só o leitor é que pode apresentar uma apreciação honesta nesse sentido e a única válida.

Não estou trabalhando em nenhum livro, mas quando vier a lançar, será da caixa para a prateleira, pois não tenho a pretensão de que um possível livro seja lido por milhares ou milhões. Me interessa mais que as pessoas leiam algo que escrevi e que aquilo as ajude de alguma forma ou, nem que seja, as distraia por dois minutos. O Caio Fernando Abreu costumava dizer que a literatura só era boa se ela servia para tornar um pouquinho melhor a vida das pessoas, nem que fosse por um instante.

6.Quais o(s) escritor(es) que você gosta e aconselha aos leitores desta reportagem?

Alguns escritores que gosto: Moacyr Scliar, Luis Fernando Veríssimo, Érico Veríssimo, Martha Medeiros, Neil Gailman, Alan Moore, Isaac Azimov, José Saramago, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade e Caio Fernando Abreu. Pensando em termos locais, há escritores nossos, de Santiago, que gosto do estilo: Alessandro Reiffer, Oracy Dornelles, Carlos Humberto Aquino Frota, Erilaine Perez, Nívia Andres, Júlio Prates, Lise Fank e Therezinha Lucas Tusi.

7. Qual o conselho que você daria para quem está iniciando na escrita?

Não existe escrita sem leitura, portanto quem tiver a vontade de escrever o que pensa, deve em princípio ler o que outros já pensaram e escreveram. Não vou aqui dizer que a pessoa deve ler esse ou aquele escritor, mas precisa buscar o que lhe agrada. Algumas vezes que tive a oportunidade de conversar com estudantes, lhes pergunto se gostam de ler e respondem que não. Quando pergunto o porquê, respondem: é muito chato ler. Aí, insisto: vocês não gostam de ler Machado de Assis ou José de Alencar, é isso? A resposta: sim. É muito chato. Aí, pergunto: e que tal ler Harry Potter ou Crepúsculo? Aí, quase todo mundo é de acordo. Querem ler, sim. Ou seja, a gente precisa parar de dar “receitas de livro” deste ou daquele autor. É preciso perceber o tipo de leitura que mais agrade uma pessoa e incentivá-la deste modo. Se ela despertar o hábito de ler, vai acabar buscando outras obras e autores. O que serve para mim, não quer dizer que sirva para outro.

8. Utilize este espaço para falar o que quiser para os leitores da reportagem:

Creio que a nossa cidade de Santiago está começando a despertar sua identidade cultural. E contribuem para isso, o curso de Letras da URI, através de seu projeto Santiago do Boqueirão, seus Poetas, quem são?; o jornal literário Letras Santiaguenses; a Casa do Poeta de Santiago; a Prefeitura. Nesse aspecto, também cito alguns blogueiros mais engajados pela valorização da cultura como Nívia Andrés, Giovani Pasini, Lígia Rosso, Froilam Oliveira, Erilaine Perez, Alessandro Reiffer e Marcus Vinícius, que dedicam maiores atenções às atividades culturais. Com relação à Casa do Poeta, penso que é uma iniciativa nobre e que merece conquistar mais projeção, ter apoio político e empresarial etc, pois o que será plantado terá grande significado para a consolidação de nossa cidade e região. Penso também que temos aí na obra do Caio Fernando Abreu um legado a ser valorizado. Santiago precisa compreender quem foi e o que significou o Caio, que era um escritor de dimensão universal. Em 2007, quando trabalhava na Câmara de Vereadores, eu sugeri que o prédio que existe ao lado fosse restaurado para a construção de um auditório multicultural e que ganhasse o nome do Caio F. Abreu. Graças a Deus, essa sugestão foi apreciada assim nesses moldes e essa construção deve acontecer. Será uma justa homenagem ao Caio. E ter contribuído com essa ideia foi algo que me deixou feliz. Acho que devemos, sim, valorizar mais o que é nosso (Caio, Oracy Dornelles), do que ficar glorificando escritores que só tem importância da ponte do Rosário para cá.

9. Como o leitor pode entrar em contato com você (e-mail, blog, site etc.)?

Eu utilizo bastante da mídia digital para escrever o que penso e sinto.

Meu blog é http://www.marciobrasil7.blogspot.com.

Página no Twitter- http://www.twitter.com/MarcioBrasil

MSN/E-mail- mbrasil7@hotmail.com

Recanto das Letras- http://recantodasletras.uol.com.br/autores/marciobrasil

Um abraço e agradeço ao amigo Giovani Pasini, presidente da Casa do Poeta, por ter lembrado de meu nome para participar deste espaço.

6 comentários:

  1. Eu ou leitora do expresso e fã do Márcio Brasil!
    Parabéns pela reportagem!
    Adorei.

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  2. Parabéns pela entrevista!
    Gostei muito.

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  3. Eu gostaria de ressaltar a satisfação da Casa do Poeta de Santiago de entrevistar o escritor Márcio Brasil.
    Criador do espaço "Rotação Literária" junto com o jornal Expresso Ilustrado, também incentiva os novos escritores a publicar seus textos.

    Sem rasgação de seda,
    cabe reafirmar que é um prazer ter a sua parceria nos projetos culturais.

    Com o trabalho de todos,
    e o Márcio é um deles,
    Santiago será reconhecida no Rio Grande do Sul, Brasil e, talvez no mundo.

    Abraços
    Parabéns por sua entrevista.
    Como as outras, já faz parte do arquivo histórico da Casa do Poeta.
    Suas palavras já estão guardadas para o futuro...

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  4. Adorei a entrevista,gostaria de dizer que acho interessante a forma que o Márcio Brasil apresenta suas idéias.

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  5. Muita merecida a entrevista com o Márcio, parabéns, Pasini. O Márcio possui uma escrita de grande profundidade e conteúdo, coisa que falta em muitos escritores considerados "bons". Todos estamos no aguardo do lançamento de seu livro.

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  6. Olá, amigos. Obrigado pela leitura e pela consideração. Muito obrigado Fátima, Giovani, Alessandro, Karla e Kamila.

    Um forte abraço!!

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Agradeço o tempo investido nesta comunicação.

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