sexta-feira, 31 de julho de 2009

O aniversário da rádio Santiago...

Em 1988, o apelido que eu tinha, na 8ª série do 1º Grau, era Abobadinho da APAE.
Eu sei...
Um apelido depreciativo, recebido devido às diabruras que eu causava na sala de aula: tachinhas, puxar o cabelo das meninas, falar bobagens, entre outras ações "terroristas" que eu cometia.
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Em virtude de tal alcunha, nenhuma menina tinha olhos para mim. Eu era o "anti-galã", o indesejado. Esse desmerecimento aumentava devido ao fato de eu ser muito mais infantil que as garotas de 13 anos, minha idade na época.
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A rádio Santiago me ajudou. Sim, a rádio me auxiliou.
Tinha um programa romântico, noturno, onde rolavam os recadinhos de amor. Não lembro o seu nome, mas recordo que todos os adolescentes escutavam as mensagens e as músicas.
Existiam os codinomes: "Coração alado - do centro", "Olhos escarlate - da Vila Nova", entre outros. Existiam, ainda, os anônimos e as anônimas.
As garotas comentavam o que havia dado no programa, no dia seguinte, na escola.
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Foi aí que tive uma excelente idéia, de gênio ou de pestinha (como queira).
Escrevi um bilhete da seguinte forma:
- Carlos Giovani, da turma 83 do Apolinário, estou apaixonada por você. Você é lindo, fica comigo! Ass: Admiradora secreta.
Fui pé a pé, como um criminoso e coloquei o papel na caixinha, que ficava na entrada da Rádio Santiago.
O coração saía pela boca e eu estava com medo de ser descoberto.
De noite o recado tocou e fiquei feliz, esperando a reação no Apolinário.
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No dia seguinte tinha aula de ciências.
Adivinhem o que aconteceu?
A eterna competitividade feminina.
Uma colega de aula, de nome Luciana, que nunca havia me dado bola, chegou e disse:
- Giovani, ouviu o recado ontem na rádio?
- Não, não ouvi. - A terrível ironia dos dissimulados.
Acreditem, poucos minutos depois, ela estava com a cabeça escorada em meu ombro, assistindo a aula de ciências.
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A minha imagem começou a mudar.
De patinho feio comecei a entrar no plano de algumas garotas.
Os recados fictícios continuaram por um tempo, até serem substituídos por alguns reais.
Pena que fui embora de Santiago, em 1989, retornando apenas 10 anos depois.
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Só que as lembranças permanecem encravadas na memória e,
sinceramente,
tenho que agradecer a rádio Santiago AM, pelos seus 58 anos de existência.
Principalmente, por haver influenciado na mudança de minha imagem, numa época em que a competitividade conta muito, para os mais jovens.
Parabéns Rádio Santiago AM!

2 comentários:

  1. Um belo e sincero depoimento, que nos remete à uma época mais pura de sentimentos.


    Inspirado em ti (ou te plagiando), hora dessas vou escrever sobre o quanto a emissora me ajudou, também.

    Fraterno abraço, meu amigo. A Rádio Santiago marcou a vida de todos nós, santiaguenses.

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  2. Não peguei a época da rádio santiago, já estavamos nas FM.
    Mas imaginei eu estando na situação.
    Gostei também.
    Bom!

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Obrigado por deixar o seu comentário neste blog.
Agradeço o tempo investido nesta comunicação.

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