quarta-feira, 13 de maio de 2009

Uma alegria no Banco do Brasil - um dos motivos de Santiago ser uma ótima cidade...


Ontem, por volta das 15 horas, tive que ir até o auto-atendimento do Banco do Brasil. Ao chegar ao caixa eletrônico, tive de ouvir uma excelente conversa entre uma funcionária do banco e um senhor idoso, de barba e cabelos brancos, usando uma "bombacha" escura e uma camisa clara.

Quando a jovem funcionária, de nome Keila, se aproximou, rindo de forma simpática, o velho senhor disse:
- Minha filha eu estou mal...
Ela, numa atitude empática, com ar de preocupação, perguntou:
- É mesmo? O que o senhor tem?
Naquele momento, eu estava digitando a senha do Banco (a minha é ******). Todos que ouviram a conversa esperavam explicações de saúde. Confesso, caro leitor, que até pensei "Deve estar doente. É normal nessa idade." Entretanto...
- Minha filha, eu estou mal é de grana, de dinheiro...
A risada foi coletiva. Não aguentei, o homem de meia idade que estava ao meu lado também não e tão pouco a funcionária. Olhei para o vizinho de "Saque-fácil" e disse:
- Isso acho que todos temos em comum...
Ele completou:
- Ei! Acho que vou ter que me internar!
(Risos, risos, risos.)
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Aquela situação me deixou feliz. Senti uma vontade de abraçar aquele senhor, adotá-lo como avô e levá-lo para a minha casa. Esse sentimento é tão bom! Uma sensação completa e pura, que só sentimos com crianças muito novas ou velhos extrovertidos.
Após chegar em casa, contei a situação para todos os familiares e conhecidos, mas somente quem estava lá, no Banco do Brasil, naquele instante, é que sabe o quanto foi engraçado.
Este fato, por incrível que pareça, fez-me pensar em Santiago. Vamos lá!
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Esta é uma das qualidades de nossa Santiago, bem diferente daquela Santingrado pessimista. Aqui, na "Terra dos Poetas" as pessoas contam a sua história para estranhos, na fila do supermercado ou do Banco. Em poucos minutos de diálogo o interlocutor passa a ser como um amigo de infância. Encontramos transeuntes com a inocência de dividir os problemas mais particulares possíveis!
O povo, ao andar pelas ruas e calçadas, ainda olha no seu rosto. Você ainda existe, não é somente mais um estorvo no caminho, em esbarrar de ombros, no calçadão de cidades grandes, como Porto Alegre. Tão pouco é apenas mais um RG, um CPF ou um número de cartão de crédito.
Aqui, acredite se quiser, ainda existem lojas que relembram a época humana em que apenas o bigode e a calça comprida eram sinônimos de honra e confiança.
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Em Santiago os relógios são iguais aos da metrópole, mas o tempo é diferente. O supermercado é perto da farmácia que fica na esquina da lotérica. Não perdemos horas em veículos!
Além disso, a alma está presente no olhar, nos sorrisos da fila do caixa, até no perguntar: "Mas, de que família tu é mesmo?"
Em tudo isso existe o vagoroso "tic-tac" do relógio, que acompanham o amanhecer pampeano, lá para os lado da BR e somente se findam com o crepúsculo, lá nos fundo do cemitério. A noite escura é tão serena, as estrelas aparecem no céu, pela vidraça sem grades...
Ainda encontramos casais enamorados, depois das 23:00 horas, sentados em bancos da praça!
O mais bonito em Santiago é que do centro da cidade, em alguns pontos, você consegue enxergar o seu fim: aquele pampa bonito, de gramíneas verdes, pequenos bosques de eucaliptos, cercas campeiras cruzando a colina. Esta é a nossa Santiago!
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Enfim, em Santiago a atendente ainda olha nos olhos de um velho, se preocupa com a saúde dele e, por fim, sorri com a piada mais bonita...

7 comentários:

  1. Parabéns!!!!
    Viajei por suas letras...
    amei!

    Não sei o que dizer...
    que suavidade.
    Lindo!

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  2. A cada leitura de artigo me surpreendo mais.
    Irei mandar algumas considerações para o seu e-mail...

    Dou uma fugidinha no trabalho para acessar o seu site, do froilam e do Dr Disconzi
    Gostei

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  3. Agora, fiquei eu com vontade de te abraçar e te declarar como meu irmão. Parabens pela postagem!! Rea(s)cendeu o meu orgulho de ser santiaguense. Muito perspicaz a tua observação a respeito das peculiaridades da terra dos poetas, amigo Giovani. Um fraterno abraço!

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  4. É, Santiago é assim mesmo... gosto de definir o ambiente como 'provinciano'. Aquela sensação de anonimato das cidades grandes - afinal, ninguém se conhece - aqui é trocada pela individualidade.
    Muito bom. Parabéns!

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  5. Engraçado...Como palavras podem nos fazer viajar.
    Primeiro imaginei cada detalhe da situação no banco. Até mesmo os sorrisos. Depois relembrei das inúmeras situações em que me falaram: de que família tu é mesmo...( Isso sempre acontece).
    É impossível não sorrir desde lado da tela. Uma verdadeira nostalgia. Um orgulho de morar em Santiago...
    Parabéns Giovane!

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  6. Este texto é uma poesia!
    Senti que estava andando em Santiago!
    Isso qeu faz algum tempo que não vou para a minha terra natal.
    Parabéns
    Vera - PoA

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  7. Agradeço a todos os leitores que deixaram uma mensagem. Ao amigo Márcio Brasil, um grande abraço.

    Fiquei feliz ao ler o que escreveram. Não tem recompensa maior do que a de ser lido.

    Muito obrigado!

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Obrigado por deixar o seu comentário neste blog.
Agradeço o tempo investido nesta comunicação.

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