segunda-feira, 27 de abril de 2009

LEMBRANÇAS DO FUTURO


A lembrança mais forte que tenho de meu pai, da época que eu ainda era uma criança, é a seguinte: ele sentado na frente de sua velha máquina Remington, trabalhando até altas horas da noite, em jornadas fora do expediente, justamente para adiantar e manter em dia o ofício para qual tanto se dedicava. Observei isso como uma grande qualidade e tento sempre seguir os seus exemplos.
Confesso, caro leitor, que ainda estou “atarantado” com a notícia dada pelo médico, de uma forma um tanto fria, lá no Hospital de Caridade de Santa Maria: “Não tenho uma notícia boa, o seu pai faleceu...”. O passado e o futuro se confundiram, as recordações felizes fizeram as lágrimas saltarem de meus olhos.
Este podia ser um artigo triste, pois despedidas como essa se resumem numa dor quase insuportável, inaceitável e nocauteante. É comum, nesses momentos, buscarmos o amparo em Deus e foi o que fiz...
Ao contrário, quero dizer que este é um artigo feliz!
Por isso eu lhe digo:
- quando você achar que já disse uma quantidade suficiente de “eu te amo!” para a pessoa amada, saiba que ainda não é o bastante; e
- quando sentir vontade de estar junto com a pessoa que tem carinho e o trabalho não deixa, esqueça o trabalho!
A imagem que tenho de meu pai – trabalhador, inocente e carinhoso – carrega uma carga de amor tão grande, que peço a Deus (quase todo o dia) para que meus filhos gostem de mim tanto quanto eu gostava dele.
Como eu disse, este é um artigo feliz! O meu velho pai cumpriu a sua missão muito bem e eu pude agradecê-lo por tudo e dizer “Pai, eu te amo!” enquanto ele entrava para a sala de cirurgia. Sou feliz, estou completo e tranqüilo.
Aproveite esta tarde para dizer o mesmo para os seus pais, esqueça qualquer briga e abrace-os. Essas lembranças do futuro ficarão para sempre na sua memória...

domingo, 26 de abril de 2009

LUTO - PAI - ACIR JOSÉ PASINI - 20/04/2009

PAI...

Foste o homem forte, batalhador,
incansável
e sábio nas decisões.

Foste o meu primeiro amigo,
que voltaste à infância
na garupa de cavalo, fictícia.

Foste o braço forte,
ao erguer-me rumo ao céu
e a mão amiga
ao juntar-me da caída.

Foste o farol na tempestades
de minha adolescência;
o espelho no qual refleti
a construção de minha personalidade.
Pai,
fizeste desta criança um homem!

Hoje, na dor da despedida,
no " até mais!",
os meus olhos permanecem marejados,
pela dor e a tristeza
de uma separação apenas física.

Pai,
Sei que estás feliz!
Quero, neste instante, inrromper as barreiras do tempo,
- para o passado ou para o futuro -
livrar-me das intempéries da vida mundana,
para afirmar que sua MISSÃO FOI CUMPRIDA e,
apenas para dizer:
TE AMO, PAI!
Vai com o bom Deus...

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Discordância sobre homossexualidade


Um leitor anônimo escreveu no texto anterior que discordava de minha opinião quando eu escrevia sobre "opção sexual". Afirmou, também, que ninguém opta por ser homo ou hetero e que isso é algo natural e inerente à pessoa.
==
Primeiramente, gostaria de agradecer a opinião contraditória do leitor(a) e dizer que fico feliz desta antítese. Afinal, o mundo possui uma imensidão de idéias e pensamentos que se contradizem; a oposição é algo muito natural e ela que levou a infinidade de conhecimentos veiculados pela internet. Pena que o leitor (a) não se identificou...
==
Entretanto, gostaria de expressar a continuidade de meu pensamento (coletado nos poucos anos de vida). Discordo do que o caro leitor escreveu - a sexualidade é uma opção, fruto de escolha, sendo que pode ser desenvolvida ou reprimida. Quando você cresce (homem ou mulher) está fadado a transmissão de comportamentos sociais e coletivos, da família, da escola, da religião e dos próprios amigos. A educação é variada e o acesso à informação surge junto com a comunicação verbal (fala) e posteriormente pela alfabetização. Aprendemos, inicialmente, pela imitação. Depois pela transferência e por fim pela descoberta.
Se a sexualidade não fosse uma escolha, não teríamos pessoas no mundo que escondessem a própria homossexualidade. Concordo que a "tendência" para a homossexualidade (ou hetero) poderá ser natural e muitas vezes realmente é. Contudo não se pode dizer que todas as pessoas com tendências decidirão chegar ao ato homossexual. Da mesma forma, não se pode dizer que uma pessoa que se julgue heterossexual irá sempre se manter assim. Se defendermos isso estamos fadados a ter que dizer que a personalidade humana é imutável, o que não é verdade...
A homossexualidade está sendo mais aceita na sociedade brasileira e mundial devido a mídia que se tornou favorável. Entenda-se que não estou sendo contra ou a favor. Somente digo que existe uma mudança de paradigma e de conceitos sociais. Acho mesmo que se deve respeitar, como eu já disse, a opinião e a escolha alheia. Desde que os bons limites do convívio em sociedade sejam respeitados mutuamente. Refiro-me a libidinagem ofensiva, que pode ser praticada por heteros ou homos.
Quero dizer ao leitor que a vida é feita de escolhas. Augusto Cury já dizia que só não podemos escolher a morte - o resto são opções.



segunda-feira, 6 de abril de 2009

Curso em Porto Alegre e debate sobre homossexualismo


Entre quarta e sexta-feira da semana passada (25 a 27 de março de 2009) realizei um curso em Porto Alegre, RS, na Escola de Administração Fazendária (ESAF). Ele versava sobre “Correção ortográfica, revisão e novo acordo ortográfico”, sendo que possuía um público de auditores fiscais, agentes da receita federal, professores, entre outros. O instrutor de tal atividade era LANDRO OVIEDO, corretor ortográfico do Correio do Povo, responsável pela confecção do editorial daquele jornal.
Entrei para a faculdade de Letras por dois motivos – gosto de escrever e necessitava melhorar o meu entendimento da gramática da Língua Portuguesa, para um concurso do Exército que habilita à função de Comandante de Organização Militar.
O instrutor, Landro Oviedo, conseguiu fazer com que eu aprendesse mais naqueles três dias do que em toda a minha vida, além disso, mudou a minha visão em relação à gramática, sendo que agora a visualizo mais atrativa.
Gostei muito da atividade...
=
Durante o curso se iniciou uma polêmica sobre homossexualismo.
A pró-reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) disse que sentia a mesma agressão ao ver uma mulher beijando um homem na faculdade, ou um casal de homossexuais (mulher X mulher – homem X homem). Ela completou que era a favor do amor incondicional, mas do respeito perante a sociedade independentemente do relacionamento ser heterossexual ou não. Completou dizendo: como professora sou a favor de qualquer relacionamento, mesmo que seja homossexual.
Naquele momento, uma senhora da receita federal perguntou:
- Tá! Mas me diz um negócio... Tu irias gostar se o teu filho fosse homossexual?
A pró-reitora olhou para a colega e simplesmente disse:
- O meu filho é homossexual...
=
Eu gostaria de me declarar totalmente heterossexual. Acho que o mais natural é o relacionamento homem e mulher. Entretanto, sou a favor da liberdade de opção e o respeito ao modo de vida alheio. Da mesma forma quero ser respeitado pela escolha de ser heterossexual.
Há o registro, desde os primórdios da consciência intelectual do ser humano, de casos de homossexualismo, sendo que em sociedades como a grega (em sua época áurea) tal relacionamento era liberado. Altos e baixos de costumes sociais. É fato que por mais fundamentalista que uma sociedade seja nunca conseguirá acabar com este tipo de envolvimento carnal.
A sociedade gaúcha é conservadora por essência. A declaração supracitada, feita por uma senhora respeitada, causou certo espanto no público que a assistia. Contudo, a declarante demonstrava amor e orgulho do próprio filho. Uma interessante quebra de paradigma sobre a educação sexual, com um posicionamento favorável e defensor de uma mudança social que ainda estremece alguns dos costumeiros alicerces sociais.
Julgo que concordo com a opinião da pró-reitora - qualquer forma de “pré-acasalamento” em público é ofensiva e deve ser evitada. Devemos respeitar a opção sexual dos outros, contanto que acatem os nossos limites de convivência. O simples fato de uma pessoa ser homossexual nunca me ofendeu. Conheci e tive alguns amigos com essa decisão.
Por fim, confesso que tenho de admirar a postura da colega, algo muito difícil para quem é pai ou mãe. Para atingir esse nível de defesa é necessária uma personalidade firme e forte. Algo que tem de ser fruto de horas de reexame de princípios e conceitos morais. Tudo em nome do amor maternal...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...