domingo, 12 de novembro de 2017

Apresentação do livro "Contos e Crônicas: Ensaios da vida", de João Lemes

João Lemes autografando "Contos & Crônicas" - Feira do Livro de Santiago. Fonte: Nova Pauta


APRESENTAÇÃO
Carlos Giovani Delevati Pasini[1]

Leviano. Boca do Inferno. Crítico dos críticos. Briguento. Criador de casos. Mexeriqueiro. Jornalista enxerido.
Inovador. Criativo. Perspicaz. Inteligente. Artista de palco. Piadista. Analista social. Pesquisador.
Vários são os adjetivos que você, leitor, poderá empregar para o João Lemes, dependendo da relação social que tiver com ele. A profissão de jornalista não é fácil, ainda mais em uma cidade como Santiago, RS, minha terra natal, onde o binário ainda é muito forte: Maragato ou Chimango; Grêmio ou Inter; situação ou oposição; amigo ou inimigo.
Em Santiago, no campo da escrita, também não existe o meio termo: ou você escreve bem, pois é meu parceiro; ou tudo deve ser descartado, pois é oponente. Esse binarismo é herdeiro, talvez, das revoluções sangrentas que a terra viveu, essencialmente da Revolução Farroupilha.
Santiago adjetiva. Santiago também é adjetivada.
Seguindo esse princípio de parcialidade, a minha apresentação estaria condenada, em virtude da relação amistosa que tenho com o João. Em 2017, nós completamos 10 anos de amizade, iniciada em meados de 2008, antes mesmo de surgir a Casa do Poeta de Santiago[2].
Durante todo esse tempo, fiquei sabendo de parte da vida do João Lemes, com a qual o leitor terá contato no decorrer do livro. É verdade que demoramos um pouco para travar uma amizade sincera, momento em que vi a “criança” que existia por debaixo do empresário das mídias impressas e virtuais. Vi a pessoa bondosa, capaz de elaborar argumentos agudos e, ao mesmo tempo, não guardar rancor em relação aos oponentes de discórdia. Somente ao saber de sua história, compreendi como existiam dois Joãos. O guerreiro e o artista.


Como ele nos diz, no texto Um pouco de mim:
Aos quatro anos de idade perdi meu pai. Como a família era muito grande, acabei sendo adotado por uma tia. Até os 14 passei por tudo; humilhação, miséria, violência física e psíquica. No mundo em que eu vivi a infância a violência era coisa comum. E não me refiro apenas à violência física, mas à violência moral, aquela brotada nas palavras.”

Ele nasceu em Coronel Bicaco, no Alto Uruguai, mas viveu em Panambi e carrega na sua alma a essência de Cruz Alta, onde bebeu água da panelinha, pensando em nunca sair da Capital do Trigo.
Teve uma infância muito difícil; por exemplo, lia os importantes gibis na rua, na base de postes, pois a sua casa não tinha energia elétrica. Trabalhou desde muito pequeno em diversas coisas. No jornalismo, está há mais de 30 anos, tendo desempenhado variadas funções, até se arriscar a lançar o periódico Expresso Ilustrado, que é veiculado em mais de uma dezena de municípios da região.
É nesse ponto que o escritor e a obra se encontram. Inúmeros são os intelectuais da literatura brasileira, verdadeiros literatos, que transitaram pelo ambiente jornalístico, dos quais vou citar alguns: Mário Quintana, Lima Barreto, o santiaguense Caio Fernando Abreu, entre outros.
Esse tipo de setor produtivo, o jornalístico, assim como o da área de educação, tem a capacidade de produzir grandes escritores, pois nesses ambientes se trabalha efetivamente com as letras. E, nas “Letras”, o João Lemes vem trilhando o seu caminho, ao se tornar licenciado em Língua Portuguesa e respectivas literaturas (UNOPAR) e estar cursando o Mestrado em Educação (UFSM).
Digam o que quiserem do autor desse livro – palavras boas ou más –, mas uma qualidade ele possui, sendo reconhecida até por adversários que surgem naturalmente no ofício que abraçou: o João Lemes é corajoso.
A sua coragem e a sua força são expressas no corpo do texto desse seu segundo livro, que pode ser caracterizado como uma coletânea de crônicas e de artigos de opinião, que, certamente, favorecerão o crescimento crítico do leitor que se deparar, de forma concentrada, com o teor de seus escritos.
A crônica, de maneira geral, tem por base fatos que ocorrem no cotidiano, sendo um texto usual ao jornalismo. A sua leitura é agradável, pois nela o escritor interage com o leitor, que muitas vezes se identifica com o que é narrado. Usualmente utiliza a primeira pessoa, com o intuito de aproximar o autor de quem lê, daí a sua informalidade, e nela, ainda, o cronista tende a dialogar com o público sobre fatos até mesmo íntimos.
O artigo de opinião, como o próprio nome já diz, é um texto dissertativo em que o autor expõe seu posicionamento diante de algum tema atual e de interesse de muitos, argumentando e assumindo a responsabilidade do que escreve.
O João Lemes é um cronista perito em expressar a sua opinião, algumas vezes de forma mordaz e ácida, mas nunca sem propriedade ou com falta de nexo. Ele desenvolveu um refinado senso de crítica social, ou, como dizemos na literatura, de crítica aos costumes, como muito bem o fizeram o baiano Jorge Amado e o gaúcho Érico Veríssimo.
Nos diversos textos dessa obra, o João não aceita o impensado social ou o que é feito por reprodução simples de hábitos dos outros, seguindo a filosofia antropofágica Oswaldiana[3], como podemos exemplificar, com os seus comentários no texto “Você compra o remédio em loja?”:

Vem cá; por que os donos de farmácias e mercados insistem em chamar esses estabelecimentos de "loja"? Alguém já ouviu o povo dizendo vou à loja comprar farinha; vou à loja comprar remédio? Certas coisas na linguagem ficam só em âmbito de alguns grupos.

Talvez a facilidade do João observar os impropérios culturais ocorra em virtude de ele ter se criado — e se constituído como pessoa — dentro das oficinas de prensa e das redações de jornais. Um bom oficineiro de periódico deve ser um leitor contumaz e, por consequência, um crítico.
Enfim, podemos perceber que existe um “fio condutor” a unir todos os textos desse belo livro, sendo a consequência da busca incessante que move o intelectual João Lemes, ou seja, escritor e obra estão interligados pelo amor ao conhecimento. A paixão pela aprendizagem.
Justo por isso, insisto na intersecção de planos, do signo e do sentimento, componentes que integram a faceta aguerrida e a escrita lúcida do João, audaz lutador que, no embate com as palavras e a crítica, mantém-se firme em seus posicionamentos, muitos deles artísticos.
Parabéns, João Loredi Lemes. Assim como Machado de Assis, você superou todas as expectativas. Tanto quanto o Machado, você superou diversidades sociais terríveis e venceu na vida, além de se tornar um literato regional de respeito. Parabéns pela obra!
Aproveito para congratular o amigo pela consagração, ao ser indicado para Patrono da Feira do Livro de Santiago, cidade que já o adotou como filho e de quem já recebeu o título de cidadão.
Sucesso! Saúde, paz e felicidade.




[1] Carlos Giovani Delevati Pasini: Professor de Literatura. Chefe da Divisão de Ensino do Colégio Militar de Belém. Doutor em Educação (UFSM). Pesquisador do Grupo de Pesquisa Kitanda: Educação e Intercultura/CNPQ, coordenado pelo professor Dr. Valdo Barcelos. Sócio Fundador (2008) e primeiro presidente da Casa do Poeta de Santiago. Membro da Academia Santa-Mariense de Letras (ASL) e da Academia Internacional de Artes, Letras e Ciências. Membro do Conselho Editorial da Editora Caxias. E-mail: professorpasini@gmail.com.
[2] A Casa do Poeta de Santiago foi fundada no dia 13 de dezembro de 2008.
[3] Oswald de Andrade: Antropofagia Cultural, ideal filosófico de “deglutir”, “engolir” o outro, aproveitando apenas o que é útil. O movimento previa um posicionamento crítico, mas não xenofóbico, em relação às influências estrangeiras. Era contra o plágio, a cópia simples e pura, muito usual na década de 1920.

domingo, 1 de outubro de 2017

Intérpretes/Literatos do Brasil - Paulo Freire





Paulo Reglus Neves Freire (Recife, PE, 19 de setembro de 1921 – São Paulo, SP, 2 de maio de 1997) – é o Patrono da Educação Brasileira. Foi um educador, pedagogo e filósofo brasileiro. Paulo Freire é considerado, mundialmente, como um dos grandes pensadores da Pedagogia. Quando criança, Paulo passou por dificuldades econômicas, junto de sua família, pais e irmãos, onde experimentou muito cedo a fome; não aquela fome intensa, mas a suficiente para atrapalhar os estudos. Ele foi alfabetizado por seus pais, debaixo das mangueiras da casa, escrevendo no chão com gravetos. Seu pai, Joaquim, era espírita e sua mãe, Edeltudres, católica. Segundo Paulo Freire, desde pequeno teve uma educação dialógica, diferente, onde podia expressar a sua opinião. Os pais pregavam uma educação de liberdade, sem libertinagem. Terminou o curso primário em Jaboatão, cidade próxima de Recife. Aos 13 anos de idade perdeu seu pai, Joaquim, que era Tenente do exército, em um desfile de 7 de setembro. Um acidente, com a queda do cavalo, tirou a vida de seu genitor. Com uma pensão pequena, voltaram para Recife, onde a mãe conseguiu uma bolsa de estudos para Paulo, no Colégio Oswaldo Cruz, sob a benevolência do diretor Aluízio Araújo, que lhe fez única exigência: Paulo tinha que ser estudioso. Assim Paulo o fez, durante toda a sua vida. Entrou na Faculdade de Direito, na Universidade de Recife, onde se formou e, posteriormente, conseguiu o título de advogado. Entretanto, não exerceu a profissão. Aos 21 anos era professor de Língua Portuguesa, na mesma escola (Oswaldo Cruz). Em 1944, ele se casou com Elza Maria Costa Oliveira, com quem teve cinco filhos: Maria Madalena, Maria Cristina, Maria de Fátima, Joaquim e Lutgardes. A esposa Elza, que trabalhava com educação de crianças, foi quem convenceu Paulo de que ele era um educador. Foi diretor do Departamento de Educação e Cultura do SESI, tendo o primeiro contato com operários e com a alfabetização de adultos. No ano de 1959 defendeu a Tese “Educação e Atualidade Brasileira”, na Universidade Federal do Recife, obtendo o título de Doutor em Filosofia e História da Educação. Paulo Freire passou a trabalhar com a alfabetização de adultos, dando os primeiros passos para a metodologia que iria ser chamada de “Método Paulo Freire”. Priorizava uma educação dialógica, debatendo sempre com os alunos, utilizando conceitos do contexto social do discente, realizando uma relação entre natureza e cultura. No início dos anos 60, Paulo Freire surge como um intelectual educador que com seu método revolucionário poderia alfabetizar 5 milhões de adultos, de forma rápida. Recebe a confiança do Presidente João Goulart e do então Ministro da Educação, Paulo de Tarso Santos, que o convidou para expandir seu método para todo o território nacional. Tal convite ocorreu pelo sucesso do processo de alfabetização, empregado em Angicos, Rio Grande do Norte. O plano foi interrompido pela conturbada época de 1964, quando ficou preso por 72 dias, em pequenas celas. Recusava-se à ideia de se exilar do país, mas ao saber que seria preso novamente, foi para a Bolívia e, posteriormente, para o Chile, onde viveu de 1965 a 1969, junto com sua esposa e filhos. Foi no Chile que Paulo escreveu Pedagogia do Oprimido, sendo Elza a sua primeira leitora. Nesse país ele escreveu, também, “Extensão ou Comunicação?” e “Educação como Prática de Liberdade”. Lá no Chile, recebeu dois convites: um para trabalhar como professor visitante na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos; e outro para ser Consultor Especial do Departamento de Educação do Conselho Mundial das Igrejas, em Genebra, na Suíça. Com dúvidas, consultou a família, quando decidiram ir para os Estados Unidos, onde publicou o Pedagogia do Oprimido em inglês. Em Harvard que ampliou o debate sobre a “educação bancária”. Posteriormente, Paulo Freire aceitou o convite de Genebra, onde morou dez anos, entre os anos de 1970 e 1980, trabalhando no Conselho Mundial das Igrejas. Ficou mundialmente conhecido, viajando para diversos países, atuando na África, especialmente nas ex-colônias portuguesas: Cabo Verde, Angola, São Tomé e Príncipe e Guiné Bissau. Com essa transição em diversos países, tanto Paulo, quanto os integrantes da sua família aprenderam a relativizar a experiência em diferentes culturas. Após a Lei da Anistia, em 16 de junho de 1980, no mesmo dia do aniversário de 64 anos da sua esposa Elza, decidiram voltar para o Brasil. O projeto foi tomado a cabo ainda no Governo Figueiredo; e Paulo passou a trabalhar em São Paulo, nos anos 80, na PUC e na UNICAMP. Em virtude do reconhecimento mundial, viajou muito para o exterior, principalmente Estados Unidos e Europa. Recebeu o diploma de Doutor Honoris Causa de várias universidades do mundo, dentre as quais, uma das mais antigas do mundo: a de Bologna, na Itália. Em 1986, um duro choque: morre de um enfarte, aos 70 anos, a sua esposa Elza, com quem havia passado 42 anos de casamento. Após alguns anos, com Ana Araújo, sua segunda mulher, Paulo reencontra o gosto pela vida. Em 1989 foi Secretário de Educação do Município de São Paulo, durante a administração da prefeita Luiza Erundina. Afastou-se do cargo por opção, no ano de 1991. Entre 1991 e 1997 trabalhou intensamente na escrita, brigando com a saúde, mas publicando diversas obras, sendo a última “A Pedagogia da Autonomia”. Faleceu no dia 2 de maio de 1997, aos 75 anos de idade.


Biografia baseada no livro: FREIRE, Lutgardes Costa. Paulo Freire por seu filho. In: SOUZA, Ana Inês. (Org.). Paulo Freire: Vida e Obra. São Paulo: Expressão Popular, 2001, p. 329-342.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Literatos do Brasil - Oswald de Andrade



José Oswald de Sousa Andrade (São Paulo, SP, 11 de janeiro de 1890 – São Paulo, SP, 22 de outubro de 1954) – Fez os estudos secundários no Ginásio São Bento e de Direito em São Paulo. Era filho único de José Oswald Nogueira de Andrade e de Inês Henriqueta Inglês de Sousa Andrade. Nascido de uma família muito rica, desde cedo passou a viajar para a Europa. As primeiras viagens constam da virada do século XIX para o XX, onde passou a ter contato com a boemia intelectual de Paris e, principalmente, quando teve contato com o Futurismo (ítalo-francês). Conheceu artistas como Jean Cocteau, Blaise Cendrars e Pablo Picasso. Voltando para a capital paulista, em 1911, passou a fazer um jornalismo literário. Fundou o semanário humorístico, crítico e político O Pirralho, de grande repercussão. Quando da Exposição da Anita Malfatti, em 1917, Oswald se posiciona a favor da pintora, contra o artigo forte “Paranoia ou mistificação? ” de Monteiro Lobato. Alinhou-se, assim, com outros futuros modernistas, tais como: Mário de Andrade, Guilherme de Almeida e Menotti Del Picchia. Passa a adquirir um perfil rebelde e combativo, tornando-se um dos grandes nomes do modernismo brasileiro, sendo considerado um dos mais inovadores do período. Foi um dos articuladores da Semana de Arte Moderna de 1922, sendo que a sua época mais construtiva ocorreu na 1ª fase modernista (1922-1930), quando produziu os conhecidos Manifesto da Poesia Pau Brasil (1924) e Manifesto Antropofágico (1928), além de participar de revistas e publicações (Revista de Antropofagia – 1928). Este segundo manifesto originaria o movimento de mesmo nome, o que sucederia na posterior Antropofagia Cultural Brasileira. Após a quebra da Bolsa de Nova York (1929) e da revolução de 30, Oswald entra numa crise financeira, perdendo quase tudo o que possuía. Ele adere à Esquerda, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro, que influenciará a composição de duas obras: o romance Serafim Ponte Grande (1933) e a peça de teatro O Rei da Vela (1937), sendo que esta ainda é bastante encenada, na atualidade. A partir de 1945, ele fica desgostoso com a militância e se afasta da Esquerda. No mesmo ano (1945), concorre à Cadeira de Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), com uma tese sobre a Arcádia e a Inconfidência, onde ganha o título de livre-docente. Em 1950, concorre na mesma universidade, para o provimento na Cadeira de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, com o tema “A crise da Filosofia Messiânica”, não sendo aprovado. Casou-se oito vezes, tendo como suas esposas duas grandes musas modernistas: Tarsila do Amaral e Patrícia Galvão (PAGU). Oswald faleceu em 1954, com sessenta e quatro anos de idade, vítima das complicações da diabete, deixando vasta publicação, que foi mais valorizada somente cerca de dez anos após sua morte. Texto baseado em BOSI (2006), ABAURRE e PONTARA (2010) e em outras publicações do próprio Oswald de Andrade.


Oswald de Andrade, no Manifesto Antropófago: “Só a antropofagia nos une.  Socialmente. Economicamente. Philosophicamente”.

Oswald de Andrade criou, por exemplo, o poema “Meninas da Gare”, constituinte do livro Pau Brasil (1925, p. 26), o qual conservamos a redação e a organização original. Uma ironia à prostituição que ocorria próximo às estações ferroviárias:

As meninas da gare

Eram tres ou quatro moças bem moças e bem
gentis
Com cabellos mui pretos pelas espadoas
E suas vergonhas tão altas et tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos                   
Não tínhamos nenhuma vergonha



Como poucos, eu conheci as lutas e as tempestades. Como poucos, eu amei a palavra liberdade e por ela briguei”.

Oswald de Andrade
Poeta e escritor brasileiro


sábado, 2 de setembro de 2017

Literatos do Brasil - RAUL BOPP


Raul Bopp («Santa Maria*, RS, 4 de agosto de 1898 – VRio de Janeiro, RJ, 2 de junho de 1984) – foi um escritor modernista, advogado, jornalista e diplomata brasileiro. Participou da Semana de Arte Moderna de 1922. Fez parte do grupo que defendeu a Antropofagia Cultural, tendo amizade com Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. O livro “Cobra Norato” é considerado como um dos mais importantes do Movimento Antropófago. Descendente de alemães, Bopp nasceu no distrito de Vila Pinhal, em Santa Maria, RS, atualmente pertencente ao município de Itaara. Cursou direito, em diversas universidades, vindo a se formar em 1925. Viajou pelo Brasil, principalmente pela Amazônia, de onde tirou inspiração para a sua obra prima Cobra Norato “(...) Ensaiei, nessa época, além do esboço da Cobra Norato, alguns poemas avulsos (...) Procurei restituir, em versos, impressões recolhidas em minhas andanças na região. Senti claramente o desgaste das antigas formas poéticas, de vibrações poéticas em uso. Elas foram sendo substituídas por maneiras de dizer mais simples, em novos moldes literários. Com a minha vivência na Amazônia, de profundidades incalculáveis, fui pouco a pouco aprendendo a sentir o Brasil, com seu sentido mágico desdobrado na sua totalidade” (BOPP, 1977, p.12-13). Cobra Norato, ou seja, um texto influenciado pela lenda da região amazônica que tratava da Cobra Grande, engolidora de gente. Como ele nos diz: “Em um dos casos que me contaram, nas minhas andanças pelo Baixo Amazonas, aparecia, por ocasião da lua cheia, a Cobra Grande que vinha cobrar o resgate de uma moça. O gênio mau da região, como o Minotauro dos gregos, amedrontava toda a gente, com a exigência desse tributo. (...) Pensei em fixar esse mito num episódio poemático, tendo como pano de fundo, a grande caudal de água doce e floresta. Mas, em vez de um Teseu destemido, para enfrentar o monstro, comecei a procurar, nas lendas amazônicas, um gênio bom que fosse, por coincidência, enamorado da donzela raptada pela Cobra Grande” (BOPP, ibid., p. 60-61).  Norato, personagem escolhido por Bopp, é o salvador da donzela, que desce rio abaixo, levando a moça, tendo auxílio do Pajé, que indica o caminho errado para a Cobra Grande, informando que Cobra Norato, o raptor da moça, havia fugido para Belém. Daí surge o nome “Cobra Norato”, o que levou a donzela, no lugar da devoradora de gente. Metáfora utilizada no modernismo brasileiro. Foi Raul Bopp que deu o apelido de Pagu para a escritora Patrícia Render Galvão, outra figura importante dos movimentos literários e culturais brasileiros. O apelido Pagu surgiu de um erro de entendimento do nome da jovem, o qual ele julgou que fosse Patrícia Goulart. Ele faleceu no Rio de Janeiro, com quase 86 anos de idade, no dia 2 de junho de 1984.

*Na época Santa Maria. O local da residência fica na cidade de Itaara, que se emancipou de Santa Maria.

 Extrato de COBRA NORATO
(...)
Mas antes tem que passar por sete portas,
ver sete mulheres brancas de ventres despovoados,
guardadas por um jacaré.
- Eu só procuro a filha da Rainha Luzia.
Tem que entregar a sombra para o bicho do fundo.
Tem que fazer mironga na lua nova.
Tem que beber três gotas de sangue.
- Ah, só se for da filha da Rainha Luzia!
Uma descrição da Floresta Amazônica:
Esta é a floresta de hálito podre
parindo cobras.
Rios magros obrigados a trabalhar
descascam barrancos gosmentos.
Raízes desdentadas mastigam lodo.
A água chega cansada.
Resvala devagarinho na vasa mole.
A lama se amontoa.
.............................................................
Vento mudou de lugar
.............................................................
Um berro atravessa a floresta.
Aqui, Cobra Norato, atolado "num útero de lama", encontra um coadjuvante, seu compadre:
- Olelê. Quem vem lá?
- Eu sou o Tatu-da-Bunda-Seca
- Ah, compadre Tatu
que bom você vir aqui
Quero que você me ensine a sair desta goela podre
- Então se segure no meu rabo
que eu le puxo.
Vem depois a chuva, o mar e a pororoca. O poeta Cobra norato e o compadre roubam farinha, ouvem de Joaninha Vintém o "causo" do Boto ("moiço loiro, tocador de violão"), vão a uma festa. O compadre percebe vindo pelas águas algo como um navio prateado:
O que se vê não é navio. É a Cobra Grande.
Quando cmeça a lua cheia, ela aparece.
Vem buscar moça que ainda não conheceu homem.
E vai o poeta levando "um anel e um pente de ouro / pra noiva da Cobra Grande", quando lhe perguntam:
Sabe quem é a moça que está lá em baixo
...nuinha como uma flor?
- É a filha da Rainha Luzia!
O poeta rapta-a e fogem. Cobra Grande os persegue. Mas Pajé-Pato ensina o caminho errado para a Cobra Grande, que:
esturrou direito pra Belém
Deu um estremeção
Entrou no cano da Sé
e ficou com a cabçea enfiada debaixo dos pés de N. Senhora
Enquanto isso, o poeta vai para as terras altas com a noiva onde se casam e são felizes:
- E agora, compadre
vou de volta pro Sem-Fim
vou lá para as terras altas
onde a serra se amontoa
onde correm os rios de águas claras
entre moitas de mulungu.
Quero levar minha noiva
Quero estarzinho com ela
numa casa de morar
com porta azul piquininha
pintada a lápis de cor
Quero sentir a quentura
do seu corpo de vai-e-vem
Querzinho de ficar junto
quando a gente quer bem bem.
Convida para o casamento muita gente, até a Maleita:
Procure minha madrinha Maleita
diga que eu vou me casar;
que eu vou vestir minha noiva
com um vestidinho de sol.
E acorda, pois o poema era um sonho.
Os fragmentos transcritos a seguir exemplificam alguns momentos da grande força lírica:
A lua nasce com olheiras
O silência dói dentro do mato
Abriram-se as estrelas
As paguas grandes encolheram-se com sono.
A noite cansada parou.
Ai, compadre!
Tenho vontade de ouvir uma música mole
que se estire por dentro do sangue;
música com gosto de lua,
e do corpo da filha da Rainha Luzia
que me faça ouvir de novo
a conversa dos rios
que trazem queixas do caminho
e vozes que vêm de longe
surradas de ai, ai, ai.
Atravessei o Treme-Treme
Passei na casa do Minhocão
Deixei minha sombra para o bicho-do-fundo
só por causa da filha da Rainha Luzia.
No princípio era sol, sol, sol
O Amazonas não estava pronto
As águas atrasadas
derramavam-se em desordem pelo mato.
O rio bebia a floresta
Depois veio a Cobra Grande amassou a terra elástica
e pediu para chamar sono
As árvores enfastiadas de sol combinaram silêncio
A floresta imensa chocando um ovo!
Cobra Grande teve uma filha.
Noite está bonita.
Parece envidraçada.
Dormem sororoquinhas na beira do rio.
Árvores nuas tomam banho.
Jacarés em férias num balneário de lama
mastigam estrelas que se derretem dentro d'água.
Por entre trouxas de macegas
passa uma suçuarana com sapatos de seda.
Ventinho manso penteia as folhas de embaúba.
A paisagem se desfia num pano.
Cunhado Jabuti torceu caminho
- Dê lembranças à dona Jabota.
Enquanto é noite
com todo esse céu espaçoso e tanta estrela
vamos andando e machucando estradas
mais pra adiante.

domingo, 27 de agosto de 2017

O por quê das sete artes?


O termo de sete artes foi estabelecido pelo italiano Ricciotto Canudo (1877-1923), crítico e teórico de cinema, pertencente ao futurismo italiano. Para ele, na publicação do Manifesto das Setes Artes (1912), o cinema era uma sétima arte que nascia da mistura de outras seis:

- 1ª arte: música (som); 
- 2ª arte: dança / coreografia (movimento); 
- 3ª arte: pintura (cor); 
- 4ª arte: escultura / arquitetura; 
- 5ª arte: teatro;  
- 6ª arte: literatura; e 
- 7ª arte: cinema. 

A análise sequencial proposta por Canudo, deixa entender uma “sequência cronológica” da prática artística, ou seja, primeiro o humano praticou o som, depois a dança; em seguida utilizou as pinturas e esculturas rupestres; fez teatro, para depois escrever (simbologia de códigos). Para Ricciotto Canudo, o cinema condensava todas essas artes, sendo a mais “completa”. Essa classificação não é consensual, sendo bastante divergente, por isso se torna apenas indicativa, sendo que outras formas de arte foram adicionadas, posteriormente:

- 8ª arte: fotografia;  
- 9ª arte: quadrinhos; 
- 10ª arte: videogames; 
- 11ª arte: arte digital; 
- 12ª arte: gastronomia, entre outras.

Colégio Sant'Anna de Santa Maria utiliza obra Beto Repleto para encenação de teatro

Agradeço a professora Clarissa Lorenzoni, Coordenadora Pedagógica do Colégio Sant'Anna, de Santa Maria, RS, por ter utilizado o meu livro BETO REPLETO como a obra base da encenação da peça de teatro na 44ª Feira do Livro de Santa Maria.

Existe prêmio melhor para um autor?



Bom dia Prof. Giovani!
Inicialmente, desejamos um ano promissor ao Senhor e sua família.
Gostaríamos de saber se o senhor reside em Santa Maria e lhe dizer que os alunos do 2º e 3º Ano do Ensino Fundamental do Colégio Franciscano Sant'Anna gostariam de homenageá-lo durante a 44ª Feira do Livro de Santa Maria, realizando uma releitura da sua obra "Beto Repleto", se não tiver problema para o senhor. Entendemos que  o livro "Beto Repleto" representa também o jeito franciscano de ser no mundo, com a acolhida ao diferente, o cuidado e zelo com as pessoas e locais por onde vivemos e o agir consciente.
No mais lhe desejamos um ótimo ano de trabalho com as bênçãos de São Francisco de Assis.
Paz e Bem!
Att,
Clarissa Lorenzoni
Coordenadora Pedagógica
Colégio Franciscano Sant'Anna
Santa Maria-RS

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Bom dia Prof. Giovani!
Entro em contato para agradecer a oportunidade que tivemos de utilizar a sua obra Beto Repleto.
Nossa participação na 44ª Feira do Livro de Santa Maria ocorreu no dia 5 de maio e foi um sucesso.
Encaminho ao senhor alguns registros e o vídeo da apresentação.
Desejamos muitas bênçãos e se possível, contar com a sua presença no colégio Sant'Anna num futuro breve.
Felicidades! Paz e Bem!
Att,
Clarissa Lorenzoni
Coordenadora Pedagógica
Colégio Franciscano Sant'Anna














Retornando ao site/blog

Após alguns meses parado nas postagens do blog/site, retorno a escrever na internet. A minha pausa se deve ao fato de eu estar - no período de abstinência literária - me adaptando à cidade de Belém, no Pará, onde passei a morar desde janeiro de 2017.

Agora o blog está com um novo endereço, abrasileirado:

Como sempre, aqui encontrará textos para leitura e reflexão, além de atividades culturais diversas.

Espero que curta o seu passeio pelo universo da literatura brasileira.

Abraço

sábado, 15 de abril de 2017

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 14 de abril de 2017: Trem-Bala


Trem-bala

A morte chega sorrateira em nossa vida. Leva o pai, depois a mãe. Surge de susto, enquanto estamos absortos na intensidade da vida. Para morrer, basta estarmos vivos, diz o ditado popular. Mas a ida... A partida sem uma boa despedida torna tudo tão mais difícil! Semana passada minha mãe faleceu. Foi embora e como num passe de mágica “caiu num porta retrato”. Um dia antes, lembro, conversávamos por chamada de vídeo, ela em Santiago e eu em Belém. Ela estava tão feliz! Acho que fui um bom filho, não tão presente o quanto deveria, mas muito amoroso quando podia. A minha mãe, Acelina Delevati Pasini, era uma pessoa bondosa, humilde, carinhosa com os parentes e amigos. Era vaidosa, sempre com as unhas e os cabelos pintados e não gostava de ser chamada de velha. Não tinha estudos, mas sempre incentivou que os filhos estudassem. Gostava de novelas, do Ratinho e do Sílvio Santos. Entretanto, mais do que tudo, era presente na vida de seus filhos. Tinha aquele carinho inconfundível da verdadeira mãe. Esse artigo não irá eternizar o que ela fez de útil em sua vida. Não tenho tal pretensão, na minha limitação humana. Ele apenas serve de agradecimento, colocando-me na pele do leitor que já perdeu a sua mãe ou pai. Não fala de perda, mas dos ganhos. Pensar no passado afetuoso é manter viva a chama de todos nós. A existência passa tão rápido, como dizia a cantora, ela é “trem-bala parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir. (...) A gente não pode ter tudo... qual seria a graça do mundo se fosse assim? (...) Segura teu filho no colo, sorria e abrace teus pais enquanto estão aqui...” Mãe... Todas as mães do mundo: se já não posso dar um beijo no teu sorriso, quero apenas deixar um sorriso por todos os teus beijos. Amamos você(s) mãe(s). Vão com Deus.

sábado, 8 de abril de 2017

Homenagem do Colégio Franciscano Sant'Anna, da cidade de Santa Maria - Livro Beto Repleto

Bom dia Prof. Giovani!
Inicialmente, desejamos um ano promissor ao Senhor e sua família.
Gostaríamos de saber se o senhor reside em Santa Maria e lhe dizer que os alunos do 2º e 3º Ano do Ensino Fundamental do Colégio Franciscano Sant'Anna gostariam de homenageá-lo durante a 44ª Feira do Livro de Santa Maria, realizando uma releitura da sua obra      "Beto Repleto", se não tiver problema para o senhor. Entendemos que  o livro "Beto Repleto" representa também o jeito franciscano de ser no mundo, com a acolhida ao diferente, o cuidado e zelo com as pessoas e locais por onde vivemos e o agir consciente.
No mais lhe desejamos um ótimo ano de trabalho com as bênçãos de São Francisco de Assis.
Paz e Bem!
Att,
Clarissa Lorenzoni
Coordenadora Pedagógica
Colégio Franciscano Sant'Anna
Santa Maria-RS

Comentário de um leitor ilustre - Academia de Letras de Brasília

Colega Giovani,

Li seu texto FELICIDADE LÍQUIDA, inserido na Coletânea Internacional de 
Cruz Alta - RS.
Parabéns, belíssimo texto. 
Abraços do colega 
EVALDO FEITOSA, membro da Academia de Letras de Brasilia

domingo, 26 de março de 2017

Debate na USP - 24 de março de 2017

Essa semana fui realizar uma fala no Seminário de Estudos em Educação e Didática (SEED), da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP), sob a coordenação dos professores doutores Nilson José Machado e Mariza Ortega da Cunha.

Na oportunidade falei sobre NAVEGAR É PRECISO, DESCOLONIZAR-SE NÃO É PRECISO: Educação intercultural e epistemologias do Sul: perfil do docente contemporâneo.

A atividade foi excelente. É muito bom debater com uma intelectualidade destacada, alunos do doutorado e mestrado, que recebe orientações do professor Dr. Nilson José Machado, um pesquisador da área da educação.












A arte de perder - artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 24 de março de 2016


A arte de perder


Perder é uma arte... Ganhar nos ensinam, em todos os lugares, desde quando a gente nasce. Somos competitivos por natureza, muitas vezes ultrapassando qualquer limite. Já perder é uma arte. Um dom, distribuído para poucos, apesar de que perdemos um tanto a cada dia, com duras derrotas. Saber perder não é para qualquer um, mas para os artistas da existência. A dor da derrota carrega uma tonelada de sabedoria. Mas a vitória... Ah, a vitória! Aquela de sobrepor os outros, transporta apenas o massagear da própria vaidade. Perder se resume com a palavra eternidade... Perdemos os pais, os amigos, os amores. Perdemos os nossos melhores dias, os momentos mais felizes. Perdemos a professora num acidente de carro, o profissional engasgado, o poeta isolado. Perdemos o futuro, o presente e o passado. Esquecemos que o que acontece agora também acaba e não existe mais. Existir é sinônimo de perder, assim como para Zé Ramalho “amar é sinônimo de sofrer”. Se você não sofre, se realmente é feliz, talvez incorpore apenas um tolo vazio. Não tem o verdadeiro significado de humanidade, dentro de sua mísera cabeça. Agora, perder é viver. Perder é dar adeus, ou não dar! É acompanhar a cirurgia do seu amor – seu pai, sua mãe, seu cônjuge, seu filho – e não ter o acordar para a foto de superação. Perder é ser verdadeiramente humano, alienado ao mundo facebookiano e mentiroso que nos cerca, numa contemporaneidade doentia. Não! Não quero que você me compreenda, pois você não sou eu. Mas quero que perca, para ser vencedor. Desejo que fique triste, para dar valor para a felicidade. Sei que não sou ninguém, mas, tal como Fernando Pessoa, tenho em mim todos os desejos do mundo. Nossa derrota é vencermos. Perdemo-nos. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 10 de fevereiro de 2016 - A prisão



Link: http://expressoilustrado.com.br/opiniao/a-prisao

A prisão

É ótima a prisão em que você se esconde por sua própria vontade. Mas a felicidade da solidão tem prazo de validade, limitado, que vence rapidinho.

Quando se está sozinho, quieto, os pensamentos surgem aos bilhões. Eles vão de um lado para o outro, do amor ao amigo, dos parentes aos filhos. Com o passar das horas, o maior desejo que se tem é o retorno dos barulhos de humanidade, que se opõe às balbúrdias da memória.

A prisão por determinação da justiça deve ser algo terrível! Não poder ir e vir, sendo jogado numa jaula, de cama dura, banheiro imundo e péssimas condições de higiene. Aliado a isso, a companhia forçada, de pessoas que não conhece e que diuturnamente podem cometer outros níveis de violência.

Esse é um dos maiores medos de qualquer cidadão – ser preso – desde que ele não esteja influenciado por duas variantes que criam uma cortina de ilusões. A primeira é a prisão da vida; da falta de educação e do crescimento no meio da criminalidade, tornando a violência algo tão usual, que já não assusta mais. Existem aqueles que assaltam por fome, mas têm humanos maus, com personalidades construídas com o minério da raiva. A segunda é a prisão da impunidade. Essa, somente atinge os grandes marginais, de muito dinheiro e alto grau de instrução, mas com a mesma falta de educação. São os politiqueiros, os corruptos, os grandes chefes de quadrilhas organizadas.


A prisão do medo de ir para a prisão, transforma patéticos mascarados em Pablo(s) Escobar(es) brasileiros. Faz-se de tudo para corromper os fatos, para que a mentira seja a chave de uma falsa liberdade.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Convite para Defesa de Tese de Doutorado em Educação - UFSM

Convido os amigos que estiverem em Santa Maria para a minha DEFESA DE TESE, encerramento do Doutorado em Educação, do Programa de Pós-Graduação em Educação UFSM.

Detalhe... não será na UFSM:

*LOCAL: SUCV - Rua Venâncio Aires, 2035, centro - Santa Maria
*DATA: 9 de dezembro, sexta
*HORÁRIO: 14h



segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

País de dores anônimas - Parte 3 - Artigo do Jornal Expresso Ilustrado


Publicado no jornal Expresso Ilustrado: 2 de dezembro de 2016


País de dores anônimas
A intelectualidade gaúcha (Parte 3)



A intelectualidade gaúcha, de maneira geral, adquiriu uma personalidade provinciana e alienada, bem longe do protagonismo do início do séc. XX. Os não-alienados, usualmente se encontram politicamente contaminados, com infecções partidárias generalizadas. Pior do que isso, alguns pensadores, quando não ocupados na divulgação de seus livros, ainda alavancam o crescimento de posicionamentos fascistas e/ou comunistas, reflexos macabros de sistemas que violentam, cada um à sua maneira, a democracia. Nas redes sociais e nas manifestações públicas, o ódio une grupos; a raiva tem uma força atrativa bem maior do que a amizade. O conservadorismo sempre foi uma característica comum em pessoas, principalmente nas mais velhas; quero dizer, torna-se natural um jovem aspirar a mudança. O que tem que ficar bem claro, é que defender um comunismo ou um fascismo já se tornou uma atitude conservadora, pois ambos são utopias historicamente fracassadas. “Mas a cadela do fascismo está sempre no cio” - Bertolt Brecht. É possível que a internet seja potencializadora de pensamentos imbecilizados, em postagens radicalizadas, antidemocráticas. É possível que educadores defendam atos de vandalismo, quebra de ministérios, ataques contra instituições cristalizadas. Tudo é possível; nem sempre aceitável! Fica uma pergunta: será que o atual Congresso Nacional conseguirá unir, numa mesma manifestação, “coxinhas” e “petralhas”? A ideologia tem disso. A polarização termina, quando os opositores passam a crer em um inimigo maior. Assim aconteceu com americanos e russos na 2ª Guerra. Enfim, temos que evitar a ameaça de mais uma guerra civil brasileira, possibilidade que já não está muito longe. (Continua)


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Artigo Jornal Expresso Ilustrado - País de dores Anônimas (Parte II)

Publicado no Jornal Expresso Ilustrado: 25 de novembro de 2016


País de dores anônimas
A intelectualidade gaúcha (Parte 2)


A diferença entre o Brasil e a Finlândia não se resume em educação, mas na nossa falta de ética. Contudo, a ética somente é construída pela educação. Desde antes da Independência do Brasil, na época de Colônia, edificamos um país de poucos privilegiados. Privilégios que criaram dois tipos de justiça Tupiniquim: a dos pobres e a dos ricos (poderosos). Aqui, um indivíduo pode passar anos na cadeia, por exemplo, somente pelo furto de alimentos para sobreviver; mas consegue escapar ileso, ao assassinar indiretamente milhares de pessoas, quando desvia milhões da saúde pública. Onde está o problema? O dinheiro abala a ética. O poder corrompe a moral. E a falta dessa ética, destruindo as regras morais, está estampada em toda a nossa sociedade, em desprovidos e milionários. A corrupção não está arraigada somente na classe política, simples representação da sociedade. Ela está na atitude de uma menina de 9 anos, rebolando seminua, para engravidar aos 11; na falta da percepção coletiva de que as forças de segurança, principalmente a polícia, são essenciais para a preservação do direito à cidadania. A falta de ética está em boa parte das famílias, onde os pais decidiram “não envelhecer mais”, sendo apenas amiguinhos dos filhos, esquivando-se da responsabilidade de desvelar os limites sociais, para humanizar os filhos, em diálogos educativos. Agir eticamente, engloba assumir princípios e valores morais, onde a interação não irá prejudicar o(s) outro(s), favorecendo uma justiça social. Ser ético impede o levar vantagem indevida; mas somos otários-ignorantes que propagamos o famoso “jeitinho brasileiro”. (Continua).

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